Eric Voegelin, 1966
A humanidade passou uma boa parte do seu tempo em desordem social, cultural e filosófica que resultou invariavelmente em guerras, fome e pestes. Por outro lado, experimentou períodos de construção social ordenada. Infelizmente, estes períodos foram de curta duração e tipicamente seguido por desconstrução da realidade por seres humanos desorientados.
O homem possui inteligência e habilidade para a razão. Ele busca a verdade da realidade, a abertura para o questionamento. Os gregos possuíam dois termos para razão, nous e ratio: nous, é a busca não apenas do conhecimento mas o conhecimento para o divino, o transcendente; ratio é o fator direcional da tensão da consciência como a busca por uma base que a ordene e dê estrutura como uma pesquisa aberta. Juntos, estes atributos intelectuais ordenados para a divindade inerentes ao homem complementam-se, onde ratio é a resposta existencial do nous para a questão. Este desejo intrínseco do homem, derivado da mistura da razão e revelação (o logos), em sua experiência exitencial da tensão entre o imanente e o transcendente, nos leva a perguntar, a questionar.
Anamnesis é o fundamento do pensamento de Voegelin sobre a questão da consciência humana, mas é no contexto de suas várias discussões que as questões relacionadas com Deus, homem, lei, política, psiciologia e história são encaminhadas. Lendo os ensaios que compõe o livro que o leitor recebe a iluminação para compreender o trabalho de Voegelin. Estas pequenas vitórias intelectuais são importantes porque fornecem energia para continuar a jornada de superar a montanha linguística que Voegelin colocou na frente dos leitores. Nestes trabalhos encontramos a consciência do ser humano completo, para sempre tentado pela tentação da revolta egoísta, da deformação da filosofia-escolar que não permite o questionamento nem permite o debate, e o problema da existência contemporânea deformada e restritiva.
Voegelin explica em um dos ensaios o surgimento do nous, o resultado do esforço filosófico dos gregos para analisar a desordem social de sua época e o entendimento da auto-consciência, argumentando que este foi um evento épico que constituiu o significado da história de deu nascimento ao conceito de filósofo.
Dar razão à tensão de ordem e desordem de nossa existência, sob a luminosidade do diálogo noético e discurso é o grande feito dos filósofos clássicos. Esta época estabeleceu a vida da razão na cultura ocidental em uma continuidade até o nosso tempo; não pertence ao passado, mas a época em que vivemos. Voegelin não estava apenas aberto à crítica, mas convidava-nos, e em mais de uma ocasião seu trabalho foi "indeterminado" por novas descobertas. Ele abominava a ideologia e nunca tentou construir um sistema fechado que fosse protegido contra críticas; seu único objetivo era olhar adiante para uma nova oportunidade de descoberta e explicação. Voegelin dedicou sua vida a buscar a verdade das coisas.
Nenhum filósofo, certamente no século XX, explicou melhor a deformação perniciosa da ideologia da era pós-moderna, e nenhuma coleção de ensaios é melhor preparada para apresentar ao leitor curioso o essencial de Voegelin, um homem que compreendeu o significado da alienação, o afastamento do homem da presença sob Deus, um conceito que estabeleceu os fundamentos das desordens do homem.
Fonte: http://www.readysteadybook.com/BookReview.aspx?isbn=0826207375
----------------
Now playing: Queen - Keep Yourself Alive
via FoxyTunes
Mostrando postagens com marcador Eric Voegelin. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Eric Voegelin. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 26 de abril de 2010
sábado, 24 de abril de 2010
A Nova Ciência da Política
Eric Voegelin, 1951
Voegelin propõe o desvio da atenção das ciências políticas dos fenômenos de superfície (leis, instituições, doutrinas, sistemas, etc) para as experiências cognitivas das quais emergiram estes mesmos fenômenos. Toda ordem da sociedade expressa uma ordem cognitiva subjacente: é a tradução político-social da ordem da realidade tal como apreendida.
As noções de "verdade" e "realidade" que as sociedades apelam para se legitimar refletem uma vivência do cosmos, com todas as limitações temporais e históricas que se opõe à penetração completa da experiência do homem. Um número definido de esquemas da ordem _ divina, cósmica e humana _ se materializaram ao longo dos tempos nas instituições, obras-de-artes, leis, línguas, etc. Cada conjunto destes símbolos forma um pequeno universo formado pelo homem para expressar sua vivência imediata da ordem total e para orientar a construção de uma ordem político-social.
Voegelin lança o programa que iria nortear o restante de sua carreira: reconstituir a seqüência das ordens manifestadas ao longo da história, de modo a decifrar o enigma do presente à luz da escalada cognitiva que a ele conduziu.
Nesta obra, Voegelin procura também decifrar as ideologias de massa como sintomas de uma doença espiritual que remonta aos gnósticos dos primeiros séculos da Era Cristã.
Voegelin propõe o desvio da atenção das ciências políticas dos fenômenos de superfície (leis, instituições, doutrinas, sistemas, etc) para as experiências cognitivas das quais emergiram estes mesmos fenômenos. Toda ordem da sociedade expressa uma ordem cognitiva subjacente: é a tradução político-social da ordem da realidade tal como apreendida.
As noções de "verdade" e "realidade" que as sociedades apelam para se legitimar refletem uma vivência do cosmos, com todas as limitações temporais e históricas que se opõe à penetração completa da experiência do homem. Um número definido de esquemas da ordem _ divina, cósmica e humana _ se materializaram ao longo dos tempos nas instituições, obras-de-artes, leis, línguas, etc. Cada conjunto destes símbolos forma um pequeno universo formado pelo homem para expressar sua vivência imediata da ordem total e para orientar a construção de uma ordem político-social.
Voegelin lança o programa que iria nortear o restante de sua carreira: reconstituir a seqüência das ordens manifestadas ao longo da história, de modo a decifrar o enigma do presente à luz da escalada cognitiva que a ele conduziu.
Nesta obra, Voegelin procura também decifrar as ideologias de massa como sintomas de uma doença espiritual que remonta aos gnósticos dos primeiros séculos da Era Cristã.
Marcadores:
Eric Voegelin,
Filosofia,
Política
Assinar:
Postagens (Atom)
